Comdinheiro e Edufinance: O que esperar do setor de varejo para 2022

Por: Comdinheiro e Edufinance

Diante da instabilidade da bolsa em 2021, os investidores procuraram opções de ações que fossem apropriadas para o cenário incerto. Neste horizonte, as empresas do setor de varejo foram intensamente procuradas como investimento, devido a seu histórico de valorização recente, porém, muitos resultados surpreenderam, tanto positivamente como negativamente. E os investidores se questionam o que podemos esperar do setor de varejo para 2022 ?

Pensando nisso, Filipe Ferreira, Diretor da Comdinheiro, maior plataforma de dados e análise fundamentalista do mercado, conversou com um dos maiores influencers no assunto, Leandro Siqueira, do canal Edufinance, os temas abordados na live são essenciais para compreender a complexidade do setor.

Desempenho em 2021

Diante da constante queda da bolsa de valores nos últimos 12 meses, podemos perceber que entre todas as ações em queda, as empresas de varejo tiveram um desempenho curioso, caindo muito mais do que as outras. A queda do IBOV se dá por alguns motivos.

Fonte: Comdinheiro

O cenário político instável, foi um dos motivos de queda das ações. Os investidores da bolsa não gostam de notícias ruins e nem de incertezas. De 4 em 4 anos se tem muitas incertezas geradas pelas eleições e nesses períodos o dinheiro sai da bolsa e vai para outro ativo menos arriscado e com mais previsibilidade sobre os investimentos. Independentemente do resultado da eleição, a bolsa acaba subindo, porque não há mais incertezas. Os preços se ajustam e a volatilidade tende a diminuir.

Outro motivo segundo Leandro é a estratégia do combate a inflação no Brasil, segundo o influencer:” Estamos convivendo com um problema, a dominância fiscal. Para combater a alta da inflação, o país utiliza de um método bastante conhecido, que é aumentar a taxa de juros. Isso faz com que o crédito fique mais caro, as pessoas passam a consumir menos, levando a queda da inflação. Entretanto, aumentar a taxa de juros é prejudicial ao país, principalmente porque isso afeta diretamente o seu endividamento, e a dívida do Brasil não está nem um pouco pequena.”

Ainda segundo o entrevistado: “Com a dívida aumentando, os investidores estrangeiros olham para o Brasil e enxergam que a situação para investimentos com maior risco. O país passa a injetar mais dinheiro na economia, tenta diminuir a entrada de dólar e, posteriormente, os dólares investidos no país terão seu valor diminuído quando forem retirados. Com isso, o dólar deixa de entrar no país, levando a sua valorização e, consequentemente, a inflação aumenta.”

Fonte: Comdinheiro

Segmentações de Varejo

O setor de varejo é muito diversificado. Ele é dividido, em vários segmentos do varejo, como em varejo de moda, de supermercados e de varejo geral (Magazine Luiza, Americanas etc). Dentro de cada segmentação existem ainda especificidades.

Fonte: Comdinheiro

Em relação ao Varejo de Moda, Leandro entende que esse setor vem sofrendo muito nos últimos anos, especialmente em decorrência do coronavírus. Geralmente, salvo algumas exceções, as lojas ficam dentro de shoppings, e com a pandemia, eles tiveram que interromper o funcionamento. 

Outro fator importante é a inflação. Considerando que se perde poder de compra, quem já não tem uma renda confortável, precisa fazer com que o orçamento feche no final do mês. Comprar roupas novas, frente às demais necessidades, passa a ser menos priorizado ou os consumidores passam a adquirir produtos mais baratos.

Atacarejo e Supermercado, também são destaques no setor, porque existiam para tipos de perfis de clientes opostos. Um segmento mais premium, onde o consumidor preferia a comodidade de ir a um supermercado perto de casa, mesmo que pagando mais caro nos produtos por isso, e outro, que não tinha tanto dinheiro e valorizava muito o preço. Porém, em tempos de crise econômica, uma parte do público que priorizava a comodidade e não se importava tanto com o preço, sofre uma diminuição do poder de compra e, buscando economizar em algo, passa a frequentar um mercado com melhores preços. Com a recessão e a inflação, os supermercados tendem a ir pior do que os atacarejos.

O varejo internacional também fundamental, pois estão reinventando esse segmento. Nesse quesito Leandro destaca o varejo chinês, segundo ele, o varejo chinês utiliza muito das mídias sociais. Um exemplo disso é a Shein, que usa muito o TikTok para fazer suas propagandas e campanhas de Marketing, possui um ticket médio baixo e baixo custo de produção. Isso facilita a venda de produtos mais competitivos em território brasileiro, a Shein, assim como a Renner, utiliza um algoritmo que vasculha a internet em busca das novas tendências da moda para lançar coleções e peças adequadas para o momento.

Tendências e mercado

Com todos os acontecimentos recentes, a maior parte do varejo teve destaque no mundo digital, e a tecnologia deve continuar sendo o maior foco das empresas no setor. Segundo o entrevistado: “Hoje em dia existem grandes canais de review no youtube e eles fazem reviews de praticamente todos os produtos. Essas análises são bem destrinchadas e mostram mais do que se poderia ter com o atendimento de um vendedor na loja física. Hoje em dia se tem uma grande variedade de produtos, com diversas formas de pagamento e as compras chegam muito rápido em casa.”

Segundo os players do mercado, isso não é algo transitório, mas sim, um modelo que vai crescer com o tempo. As lojas devem continuar com suas unidades físicas e utilizadas como hubs de distribuição, já que os centros de distribuição ficam longe das cidades e são poucos. Dessa forma, utilizar a próprias lojas para realizar a entrega se torna mais eficiente. Segundo Leandro “Eu não vejo esse setor com espaço para muitos players. Hoje eu vejo pelo menos 5 players e acho que no futuro sobrarão apenas duas.”

Com isso, o caminho parece ser investir em logística e tecnologia, para conseguir um impacto cada vez maior em um público mais amplo.

Live na integra:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.